Ciências e Autoritarismo

EIXO IDENTIDADES: “EUS” E OUTROS

  • Ciências e Autoritarismo (EM)

O Naturalismo Brasileiro, o Autoritarismo e a Percepção Contemporânea

Professores: Oswaldo Martins e Thiago Noya

Reforma Pereira Passos: o discurso higienista e o capital especulativo na expulsão das camadas populares do centro do Rio

Professores: José Manoel Gaspar e Raphael Ferraz

O lugar do gênero na pesquisa científica

Professoras: Silvana Leone e Taís Mesquita

Jogo do anti-dogmatismo

Professor: Diogo Gurgel

 

Reforma Pereira Passos. O Rio de Janeiro civiliza-se (?): o discurso higienista aliado ao capital especulativo na expulsão das camadas populares do centro do Rio.

Professores: José Manoel Gaspar e Raphael Ferraz

 

O trabalho tem como objetivo a análise do discurso modernizador/higienizador e sua aplicação na cidade do Rio de Janeiro, no início do século XX, através de um modelo autoritário e excludente que visava adaptar a urbe às exigências do comércio internacional, privilegiando os interesses especulativos do mercado imobiliário. Esse modelo foi reeditado na concepção do projeto de reformas urbanas para atender à realização da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas, em 2016.

 

Discurso Científico, Higienismo, Exclusão Social e Autoritarismo na Prosa Brasileira naturalista

Professor: Thiago Noya

 

A temática dos atores sociais excluídos era apresentada pelas produções literárias brasileiras naturalistas à luz de um vocabulário importado da medicina e das ciências naturais, as quais então se ampliavam e seu discurso ganhava o estatuto de verdade universal inquestionável a substituir tanto o conhecimento popular quanto a fé e os misticismos. Contudo, o naturalismo contribuiu, sobretudo no Brasil, para um projeto civilizatório higienista e sanitarista de cunho autoritário.

 

Considerando-se que os procedimentos do naturalismo advieram de intelectuais escritores europeus, e que a intelectualidade brasileira ainda tinha como única referência cultural dita civilizada (sic) a Europa, pode-se perceber que os escritores naturalistas brasileiros, ao importarem a estética e os pressupostos de tal estética para suas obras, embora tendo o intuito de representar o universo das adversidades vivenciadas por camadas minoritárias ou excluídas da sociedade, não conseguiram, contudo, desfazer-se de um certo olhar parcial para com tais grupos de indivíduos no sentido de que abordavam estes a partir de concepções civilizatórias assumidas como paradigmáticas, o que ia ao encontro da própria noção de verdade que a ciência assumia para o estudo do universo, dos animais, da vida humana.

 

Desse modo, as obras naturalistas apresentavam dois movimentos contraditórios: por um lado, assinalavam a existência e as problemáticas de atores sociais excluídos, como a mulher, o homossexual, o negro, o pardo ou o adolescente; por outro, não lhes davam voz, pois escamoteavam suas idiossincrasias ao se porem numa posição apenas aparente de neutralidade na observação do real, visto que esta se mostra judicativa em suas análises de comportamento, não só por se aparelhar de conceitos pretensamente universais da ciência, como a tese da luta animal pela sobrevivência, a dominância do macho sobre a fêmea, ou o determinismo da necessidade procriadora sobre a mulher, mas também por trazer, em tais análises, o vocabulário médico para estabelecer inexoravelmente a ideia de comportamentos saudáveis e desvios patológicos, considerando-se que estes últimos definiam como tais, por exemplo, o desejo sexual feminino, a miscigenação ou a homossexualidade – citada à época pela Medicina, como doença, o homossexualismo.

 

Em suma, resumia-se o estudo do ser humano ao de um ser biológico – animal – que respondia a seus instintos no convívio social, o qual determinava sua vida e fazia-o adoecer – ou seja, fugir de um suposto lugar de normalidade. Assim, a despeito da contribuição do naturalismo brasileiro para a visibilidade aos excluídos, não havia espaço nas obras naturalistas para se acolher de modo integral o discurso do excluído como alternativa possível e legítima a padrões socioculturais hegemônicos, o que configura certa presença autoritária nesse estilo de época.

 

Obras e sugestão de vieses de análise:

  1. Júlio Ribeiro – A Carne – o desejo sexual da mulher como instinto de procriação.
  2. Aluízio de Azevedo – O Cortiço – a animalização, determinismo e exclusão das classes desfavorecidas.
  3. Aluízio de Azevedo – O Mulato – a rejeição da miscigenação e a exclusão como deterioração do caráter.
  4. Adolfo Caminha – O Bom Crioulo – o lugar social do afrodescendente e a homossexualidade como homossexualismo.
  5. Raul Pompeia – O Ateneu – a repressão violenta do adolescente como preparação para as regras sociais.

 

Jogo do Anti-dogmatismo
Professor: Diogo Gurgel

O jogo do anti-dogmatismo é um jogo de tabuleiro no qual ganha quem mais duvida. O quiz foi desenvolvido por alunos do Ensino Médio com o intuito de subverter a ideia de que respostas prontas e imediatas são sinal de maior competência acadêmica.