Que trio!

Mais uma palestra imperdivel acontece amanhã, dentro da programação da Semana das Ciências: os pesquisadores Daniella Arêas Mendes da Cruz, Martin Bonamino e Miriam Tendler participam da mesa-redonda sobre “Doenças recorrentes e pesquisas pioneiras no Brasil”, para alunos do Ensino Médio.

Além de grandes cientistas, os três têm uma relação de afeto com a EDEM: Daniella é mãe de Nina, aluna do Ensino Fundamental 1 da escola. Martin é “cria da casa”: foi nosso aluno dos 3 aos 14 anos. E Miriam é avó de Olivia e Caetano, nossos alunos do Ensino Fundamental 1.

Para eles, participar da Semana das Ciências, mais do que gratificante, é necessário:

– A ciência faz parte do dia a dia. Mas há preconceito, má informação e mistério sobre ela. A informação de qualidade é um bem precioso. E estamos em uma época de manipulação e de informações truncadas. Isso faz com que haja a difusão da informação muito ampla e poderosa – e pouca informação de qualidade. Por isso, participar de uma Semana das Ciências numa escola em que o interesse é difundir a informação de qualidade é um prazer – defende Miriam Tendler, que é médica com Mestrado e Doutorado em Doenças Infecciosas, pesquisadora titular da FIOCRUZ e coordenadora do projeto “SM 14”.

 

Miriam Tendler

Para ela, falar sobre a importância da metodologia, sobre o foco, o interesse, a dedicação e o estudo é um aprendizado fundamental;

– Eu não gosto quando ouço algo sobre ciência em que as pessoas falam que fulano “descobriu”, como se fosse ao acaso. Não é: há persistência e metodologia por trás de todo o processo científico – diz a cientista, que está coordenando o grupo da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) sobre a vacina contra a esquistossomose.

 

Daniella Arêas Mendes da Cruz é graduada em Biomedicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO), tem mestrado e doutorado em Biologia Parasitária e pós-doutorado pela Universidade Paris-Descartes. Desde 2008 é pesquisadora em saúde pública da Fiocruz. Ela está ansiosa para o papo de amanhã com alunos da EDEM, ao lado de Miriam e Martin.

Daniella Arêas

– Vamos abordar vários assuntos diferentes na palestra: entre eles, a reprogramação de células, em que a célula é transformada de novo em célula-tronco e a partir dela é possível desenvolver outra celula diferente: é o que a gente chama no meio científico de reprogramação celular. E, ainda, sobre microbiota humana. Vários estudos têm mostrado que a microbiota pode definir diferentes respostas à doença e suscetibilidade à obesidade, alergias e até doenças neurodegenerativas. Então a gente costuma ouvir que microbiota está na moda atualmente, mas é porque realmente tem sido descrita a importância da microbiota humana e a resposta do organismo, do sistema imune, a várias doenças infecciosas – explica ela.

Martin Bonamino é nosso ex-aluno. E também tem um currículo belíssimo: é técnico em Biotecnologia pela Escola Técnica Federal de Química (atual IFRJ), formado em Ciências Biológicas (modalidade Médica) pela UFRJ, com doutorado pela mesma instituição. É pesquisador do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e especialista da  FIOCRUZ, além de coordenar um grupo de imunologia e imunoterapia do câncer no Inca e atuar na coordenação da rede de câncer da FIOCRUZ.

Ele destaca um aspecto negativo que acontece atualmente: o movimento “não dê vacina” que colocam em risco a população ao estimularem os pais a não vacinarem seus filhos.

–  Esse movimento, sem qualquer embasamento científico, representa um risco enorme às políticas de saúde pública e tem gerado surtos de doenças que estavam sob controle e vários países. As boas notícias é que temos em fase avançada de desenvolvimento vacinas e novas potenciais terapias para doenças infecciosas como Dengue, Zika e outras doenças – alerta o cientista.

Martin Bonamino, ex-aluno da EDEM

No caso especificamente do câncer, assim como Daniella, Martin chama a atenção para novas formas de tratamento que envolvem o uso do sistema imunológico para eliminar a doença e a possibilidade de modificação genética das células do paciente para potencializar este fenômeno.
– Temos uma revolução tecnológica em curso que impactará diretamente diferentes doenças: a possibilidade de modificarmos a sequência do DNA com precisão dentro das células. Esta tecnologia revolucionará o tratamento de várias doenças no futuro próximo. E  os alunos que estão hoje no ensino médio testemunharão esta revolução nos próximos anos.

 

 

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