Mulheres cientistas – Parte 1

Amanhã, dia 23, começa a 4ª Semana das Ciências da EDEM. Na parte da tarde teremos uma mesa redonda muito interessante: “Mulheres nas ciências”, voltada para os alunos de 1º e 2º anos do Ensino Médio. Motivo triplo de orgulho: a mesa será composta por três cientistas: Isabela Soares Santos (FIOCRUZ), Janaina Cavalcante (INMETRO) e Tatiana Rappoport (UFRJ). Isabela é mãe da nossa aluna Lara, do Ensino Fundamental 1. Janaina é nossa ex-aluna (entrou pequena, ainda no chamado “maternal”) e Tatiana também é mãe da escola: Julio, seu filho, está na Educação Infantil da EDEM.

E por que falar sobre mulheres na ciência?

– Há poucas mulheres em algumas áreas científicas. E mesmo em áreas onde há muitas mulheres, elas dificilmente conseguem ganhar o destaque proporcional ao que homens com carreiras equivalentes tem. Além disso, há pouquíssimas mulheres em áreas tecnológicas, que são de grande importância nos dias de hoje. Então temos que falar sobre para tentar reverter esse quadro. No debate, também penso em levantar a questão que é importante trabalhar com crianças e adolescentes, porque desde pequenas as meninas recebem muito menos estímulo que os meninos para brincarem e explorarem o mundo de uma forma mais analítica. Isso é algo que ocorre desde a primeira infância e acaba moldando nossa personalidade e nossas escolhas – explica Tatiana Rappoport, Doutora em Física pela UFF e professora da UFRJ.

                    Tatiana Rappoport

 

Ainda sobre as mulheres na ciência, ela vê que as adolescentes e os adolescentes de hoje têm atenção no papel da mulher na sociedade e acha ótimo que se interessem pela questão da mulher na ciència:

 

– Algumas áreas científicas ainda são exclusivamente dominadas por homens brancos e há uma grande necessidade de se trazer mais diversidade para essas áreas. Isso não é apenas para tornar o ambiente de trabalho mais justo, mas também para impulsionar a pesquisa. Diversidade traz também criatividade e qualidade à pesquisa. Espero que muitas meninas, ao verem cientistas mulheres debatendo, se motivem a seguir uma carreira científica.

Para Janaina Cavalcante, o assunto é mesmo fundamental.

– Tive uma grande experiência pessoal, desde a minha iniciação científica. Fiz mestrado e doutorado e precisei seguir os estudos cuidando de meu filho pequeno, antes da segunda gravidez. Foi realmente um grande sacrifício, muita cobrança e pouco retorno. Muitas vezes passei por momentos que poderiam me fazer desistir da carreira, conciliar maternidade com a profissão (na área de ciência) é uma tarefa muito árdua. Sofremos uma pressão muito forte em continuar publicando anualmente para comprovar nossa competência profissional, viajar para congressos, continuar estudando e se atualizando… e, ao mesmo tempo, conciliar os cuidados com a família… fato que as agências e instituições de fomento à pesquisa não contabilizam em suas estatísticas – diz ela, que é pesquisadora e tecnologista em Metrologia e Qualidade do INMETRO, com mestrado em Biotecnologia Vegetal pela UFRJ e Doutorado em Ciências, com ênfase em Bioquímica, pela UFRJ.

Isabela Soares Santos engrossa o coro:

– Discutir sobre a questão das mulheres e o que elas estão fazendo com ciência, como elas se inserem nesse mundo da ciência, como isso está relacionado com a organização social-econômica-histórico-política da nossa sociedade é fundamental. Essas crianças e adolescentes vão crescer entendendo o que é fazer ciência e o papel da mulher também. Isso é estrutural. Mulheres são sobrecarregadas tanto no trabalho quanto dentro de casa e das familias. Na produção da ciência também há essa sobrecarga. isso vai ser interessante discutir – defende Isabela, que tem Mestrado e Doutorado em Saúde Pública pela ENSP/Fiocruz e é pesquisadora do Departamento de Administração e Planejamento em Saúde da Escola Nacional de Saúde Pública (Daps/Ensp/Fiocruz).

 

                    Isabela Soares Santos

 

A importância da Semana das Ciências

Para as convidadas, um evento como a Semana das Ciências é motivo de muitos elogios:

– Admiro essa atitude da escola. Estimular a curiosidade dos alunos e da sociedade para debater sobre os mais diversos temas é, de certa forma, estimular o crescimento do conhecimento científico. Sem ciência não vamos avançar como sociedade nas mais diversas áreas do conhecimento. Que venham mais e mais eventos como esse e que a gente consiga abrir a cabeça para tudo o que esta acontecendo ao nosso redor, procurando compreender melhor esses eventos – diz Janaina.

 

Janaína Cavalcante

 

Tatiana acha que, apesar da ciência e as consequências das descobertas científicas na tecnologia estarem muito presentes no nosso dia a dia, pouco se fala e pouco se discute muito sobre ciência, especialmente no Brasil.

– O ensino de ciências aqui se utiliza muito pouco das experiências e o conteúdo, ao menos da minha área, a fisica. E está muito descolado do que usamos no nosso dia-a-dia. Terminamos o Ensino Médio sem entender minimamente como funciona um laser, uma televisão LCD, um microondas… Então acho super importante ter ao menos uma semana de ciências no ano, que incentive alunos e alunas, professores e professoras a pensar na ciência para além do conteúdo que deve ser visto em sala de aula.

Isabela concorda:

– Parabenizo a EDEM por viabilizar esse evento. Eu trabalho numa instituição de ciência e lá a ciência requer investimento do estado em todos os âmbitos da sociedade, como a escola. As pessoas tem que entender que as ciências perpassam todos os momentos e questões da vida. Debater ciência com os alunos permite que as pessoas compreendam o quanto a ciência está presente em nossas vidas – diz e

 

 

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