A Mostra de Cinema da EDEM movimentou a escola e a rotina dos alunos do 8º ano do Ensino Fundamental 2 na semana passada. A ideia surgiu com o intuito de trabalhar o tema do preconceito e dos estereótipos através de diferentes linguagens. Como este ano teremos a Semana das Artes, em outubro, a coordenação pensou em buscar no cinema um questionamento atual sobre os temas a partir da linguagem cinematográfica, além de trazer para a sala de aula a integração das questões da realidade que hoje nos mobilizam.

Foram três dias com atividades voltadas para a reflexão do tema, através da realização da Mostra. No primeiro dia, a exibição do filme “Olhar Estrangeiro” de Lúcia Murat, seguido de um debate conduzido pelos professores Júlia Barreto (de espanhol) e Wellen Lyrio (de geografia).

– A gente percebeu que estava trabalhando temas similares. Em geografia, com o Wellen, estavam trabalhando América Latina; a professora de historia trabalhando conceitos de etnocentrismo e eu, em espanhol, trabalhando com a parte de descrição física e racismo na América Latina. Então a gente pensou numa proposta em cima de cinema latino-americano para a Semana das Artes – relembra Julia.

Antes da mostra, em sala de aula, professores e alunos trabalharam sinopses de filmes que falam sobre os estereótipos.

– A partir daí a gente começou a pensar no que seria uma mostra cinematográfica em que alunos e alunas tivessem contato com esses filmes pra poder debater. Criamos essa primeira parte, em que eles assistiram o “Olhar estrangeiro”, de Lucia Murat, um filme que fala justamente como nós, brasileiros, somos retratados em muitos filmes estrangeiros, norte-americanos e também europeus. A partir dessa questão do estereótipo criamos esse debate, em que a turma respondeu algumas questões, entendendo a construção da nossa identidade a partir dos filmes. Trabalhei muito as questões da sinopse e da descrição física. Os nossos filmes de arte que fazem sucesso lá fora são os que vão falar da miséria, da pobreza, da miséria, da corrupção… senão não faz sucesso. É assim que acontece, infelizmente – conta Julia.

Wellen complementa:

– O importante foi fazê-los pensar sobre o tema. Que eles elaborassem perguntas, mais do que saibam as respostas. Existe identidade latino-americana? Existe identidade europeia? Existe identidade africana? Ou existem varias identidades? Então a gente trabalhou com os alunos essas desconstruções em relação a esses estereótipos. Foi um trabalho de reconhecimento. O trabalho tem mais a ver com a gente se aceitar. E aceitar o outro.

Palestra sobre os modos de produção cinematográfico

Além dos filmes selecionados para a Mostra, a programação também incluiu uma palestra sobre a história e a função social do cinema, ministrada pelo professor Evângelo Gasos, da oficina de Documentário do Ensino Médio da EDEM. Nos intervalos das sessões, foi realizado um “Café Digital”: os alunos participaram de um lanche coletivo e registro digital, em um site das indagações e reflexões suscitadas pelos filmes. O convite para Evângelo participar foi de Marcelle Deslandes, coordenadora do Ensino Fundamental 2.

– Ela me apresentou o eixo norteador do evento, sobre as questões que seriam abordadas, sobre  preconceitos e estereótipos. Eu propus fazer um apanhado histórico sobre os modos de produção cinematográfico e, ainda, como existiu um olhar sendo construído e educado pra esse modo de produção específico, que é o cinema narrativo clássico. Falei desde os irmãos Lumière até a série Black Mirror. Fiz uma viagem no tempo sintetizada, mas importante para poder fazer esse panorama geral para os alunos. O principal objetivo foi falar das construções rasas, do modo de produção do filme, com esse mercado mais comercial e hegemônico. Existem outras produções, olhares bem cuidados em relação à representação do outro. Mas esse tipo de cinema tem mais dificuldade de chegar – explica ele.