Uma aula conjunta de física, história, geografia e filosofia: engana-se quem acha que uma atividade conjunta com estas quatro disciplinas não combina. Na semana passada, as turmas de 3º ano do Ensino Médio assistiram a uma palestra sobre o Projeto Manhattan, programa de pesquisa e desenvolvimento, iniciado em 1939, que produziu as primeiras bombas nucleares, usadas pelos EUA no final da Segunda Guerra Mundial.

O encontro foi a síntese de um projeto desenvolvido em sala de aula. A partir do estudo sobre energia, nas aulas de física, a equipe pedagógica do segmento falou sobre a questão nuclear e o conceito de fissão nuclear, o desenvolvimento da bomba atômica, o machismo na ciência, e o avanço científico, entre outros.

– Tivemos o privilégio de ter as visões de quatro professores: Diogo, de filosofia, abordando a questão ética acerca das escolhas políticas; José Manoel, de história e Wilson, de Geografia, contextualizando o momento social e histórico; Ana Carolina, de física, com a visão técnica da questão nuclear. Foi um evento multidisciplinar para debater e aprofundar com os alunos, a questão da ética na ciência e o uso e abuso da a energia nuclear – conta Wanderley Quêdo, coordenador do segmento.

Para o professor Diogo Gurgel, de Filosofia, debater esse tema é vital:

– Estamos vivendo um momento em que Donald Trump e Vladimir Putin estão rompendo tratados feitos na década de 80 a respeito da responsabilidade do uso de tecnologia nuclear. Precisamos contextualizar isso com esses jovens. Apresentei para eles alguns textos de filósofos que se pronunciaram na época sobre o assunto.

Para o professor José Manoel, essas várias visões sobre o mesmo assunto são interessantes para todos:

–  A coordenação denomina esta atividade de Conferência de Consenso. As alunas e os alunos curtem muito, ver os professores dialogando, cada um dentro da sua visão especifica. E isso enriquece muito o debate. A atividade foi muito boa e as duas turmas de 3º ano participaram ativamente.

Depois da apresentação dos professores, os estudantes discutiram as questões em grupos e, no fim, cada um compartilhou seu posicionamento com a plenária.