A força que Luzia trazia em seu nome e nem sabia: essa é a história do livro do autor e professor Igor Gonçalves. A convite da professora Sonia Travassos, ele conversou com as turmas de 5º ano do Ensino Fundamental 2 na semana passada, na biblioteca da EDEM.

– Tive a ideia de chamar o Igor para conversar com as turmas a partir de um projeto que estava trabalhando com as turmas, sobre mulheres e figuras importantes para o movimento negro, em diferentes épocas. Lemos livros sobre mulheres que viviam em quilombos, lemos o livro “Heroínas brasileiras em 15 cordeis” e muitos textos sobre Dandara dos Palmares e, ainda, sobre mulheres que vieram pro Brasil escravizadas e não ficaram passivas, como Esperança Garcia, que escreveu uma carta denunciando os maus tratos que viveu – lembra Sonia.

Na etapa seguinte do trabalho, com as turmas, a professora leu livros que falavam de origens familiares negras. O primeiro foi “Meu avô africano”, de Carmen Lucia Campos; e o segundo, “Luzia”.

– Nesse livro, Igor conta a história de uma menina que não gostava de seu próprio nome, mas à medida que crescia soube que era o nome de sua bisavó, que veio da África e foi escravizada no Brasil. Então Luzia vai descobrindo a força da história dessa bisavó e percebe como é importante resgatar essa identidade.

E como as crianças reagiram à leitura e ao encontro com o autor?

– Foi um bate-papo riquíssimo com o Igor. Falamos de processo de criação e sobre criação literária. Ele contou que  a ideia dele em escrever o livro, em boa parte, surgiu da própria vivência dele como professor. Muitos alunos negros dele não tinham orgulho da sua raça e nem de seus nomes. Então “Luzia” veio para contribuir para falar da força dessa memoria afetiva e das questões que envolvem a importância do movimento negro. Por fim, fechamos a tarde com uma dança e um canto africano que ele ensinou para as crianças. Foi muito legal!