Jogos, brincadeiras com terra, tear de papelão, confecção de brinquedos com sucata… Tudo isso acontece no Horário Extensivo da EDEM, que recebe crianças da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental 1 durante as manhãs, antes do horário regular. Os momentos de trocas entre os alunos e alunas são desenvolvidos em um espaço de educação não formal entre crianças de diferentes idades (as chamadas “grupadas”) e interesses. Para as dinâmicas diárias, a prioridade é disponibilizar materiais variados que valorizam os elementos da natureza e reaproveitam materiais que seriam descartados. Tudo isso com o objetivo de aguçar a criatividade dos pequenos.

– Nosso principal objetivo é o desenvolvimento da autonomia, o cuidado consigo, com o outro, com o espaço escolar e com o meio ambiente. Tudo, primordialmente, através do brincar. E observamos o lugar de potência que o Extensivo ocupa: ao brincar com materiais não estruturados, a criança desenvolve as suas habilidades criativas se relacionando com as aprendizagens já consolidadas – explica Márcia Figueiredo, coordenadora do Horário Extensivo.

Ela explica que as atividades do Horário Extensivo surgem, de maneira geral, do desejo das crianças. Algumas ideias nascem no momento em que entram em contato com os materiais disponibilizadas pela professora. Outras surgem a partir das vivências que tiveram em casa com seus familiares, como foi a ideia do tear de papelão. E há ainda as que surgiram pelas interferências cotidianas:

– Ontem, por exemplo, as crianças da Grupada 3 estavam muito impactadas com o incêndio do Museu Nacional. Foram buscar folhas e gravetos no pátio da escola para tentarem fazer fogo. O fogo é um elemento da natureza que ao mesmo tempo que assusta, encanta. Na tentativa de fazer fogo, levantaram hipóteses de que materiais da natureza precisariam para conseguirem alcançar tal objetivo, experimentaram e chegaram à conclusão de que, se conseguissem fazer fogo, poderiam incendiar a escola e todos ficariam sem ter onde estudar. Como essa era uma ideia assustadora, desistiram das tentativas (risos). É muito bonito ver esse processo tão genuíno de aprendizagem.

No mês passado, as crianças participaram de uma intervenção em espaço já estruturado.

– A proposta era oferecer material não estruturado para instigar a curiosidade e a imaginação. As crianças da Grupada 3 levantaram algumas hipóteses sobre o que seria aquele emaranhado de elástico. Uns chamaram de teia, outros de armadilha. Se surpreenderam, investigaram e soltaram a imaginação e o corpo, explorando cada detalhe – conta ela.