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Na EDEM, as ciências são um eixo que perpassa as aprendizagens da Educação Infantil ao Ensino Médio. Muitos de nossos ex-alunos e ex-alunas enveredaram pelo caminho da ciência e Martin Bonamino é um deles: estudou com a gente desde a Educação Infantil até o começo da adolescência, quando foi estudar na Escola Federal de Química. Hoje, além de pai da Maitê e tio do Gael (que é nosso aluno da Educação Infantil), ele é um cientista reconhecido mundialmente. No começo deste mês, o grupo de pesquisa coordenado por Martin, no Programa de Pós-Graduação em Oncologia do Instituto Nacional do Câncer (INCA) ganhou o 11º Prêmio Octavio Frias de Oliveira. O trabalho vencedor foi Development of CAR-T cell therapy for B-ALL using a point-of-care approach, publicado na revista Oncoimmunology e conduzido pela bióloga Luiza Abdo, aluna de Martin.

Graduado em Ciências Biológicas Modalidade Medica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2000) e doutor em Química Biológica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004), Martin é pesquisador do INCA e Especialista da Fundação Instituto Oswaldo Cruz, onde participa da coordenação da Rede Fiocâncer. É bolsista Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ e membro da câmara técnica de trabalho da ANVISA para terapias avançadas.

Nesta entrevista, Martin fala um pouco sobre ciência, prêmios, coronavírus e, claro, a EDEM. 🙂

O quanto é mais relevante ganhar um prêmio como esse em um país que não dá valor à ciência?

Eu não acho necessariamente isso…. Mas eu acho que a gente está longe de ter uma cultura de apreço e compreensão do potencial da ciência pra dar resposta aos desafios cotidianos e da sociedade. E há, também, uma visão muito limitada de quanto a ciência e a tecnologia podem transformar a sociedade. então pra gente foi bem importante e a gente ficou bem entusiasmado de ganhar esse prêmio, que é um esforço feito em desenvolver inovações e ideias e conceitos científicos que podem ser aplicados pra melhorar a vida da nossa sociedade. Nesse sentido, os prêmios são importantes, porque são não só um incentivo, mas são um canal e um caminho pra reconhecer essa relevância.

A ciência segue métodos rígidos, onde a observação é fundamental. Mas a criatividade e a falta de medo de errar também são importantes. Como a EDEM contribuiu para sua formação levando em conta esses aspectos?

A gente tem um grande desafio que é colocar em prática projetos que sejam viáveis, sem abandonar a ousadia e a capacidade de quebrar os paradigmas. Isso no meio científico é um debate bem importante. Se a gente pensar num cientista jovem, ele vai ter a pressão de ter projetos que deem certo, que gerem alguma publicação. Isso muitas vezes mina a capacidade de ser disruptivo, de propor coisas mais ousadas. E é por isso que existem iniciativas tanto lá fora quanto aqui também. No Brasil a gente tem um novo instituto que foca principalmente nesse tipo de ciência, sem tanta pressão, mas com mais liberdade, desde que ela seja ousada, que é o Instituto Serrapilheira. E respondendo à sua pergunta, temos que colocar um pouco na balança o que é ser criterioso, ser capaz de conduzir esses processos científicos levando a sério e mantendo sempre esses critérios científicos rígidos, toda essa metodologia. Mas, no fim das contas, o que importa mesmo é a ideia. E aí eu acho que está exposto um ambiente onde ideias não completamente engessadas são bem-vindas. Esse ambiente educa e contribui para que você possa, ao longo da sua vida, continuar pensando um pouco mais fora da caixa e propondo ideias que não sejam completamente desprovidas de lastro, mas que sejam um pouco fora do que está sendo pensado no senso comum. Eu acho que essa contribuição vem um pouco da história de cada um e eu reconheço que essa passagem pela EDEM tem uma contribuição importante nesse aspecto.

O Brasil trabalha atualmente em duas das vacinas contra a Covid-19 mais avançadas no mundo. Já foi falado por cientistas que a urgência vai abreviar os processos de aprovação. Mesmo com esse risco sendo pequeno, a possibilidade de termos uma vacina que não seja 100% eficaz pode gerar um fortalecimento do movimento anti-vacina?

Eu não sei até que ponto esse risco de termos uma vacina que não é completamente eficaz é pequeno. A gente não tem dados ainda, até esse momento, que mostrem o quanto essas vacinas são capazes de proteger, de fato. Os dados que a gente tem mostram que elas são capazes de fazer com o que o sistema imune reconheça o vírus, mas o quanto isso realmente resulta numa proteção, a gente ainda não tem certeza. E isso nos leva à segunda parte da pergunta, que é quanto isso pode levar a fortalecer os movimentos anti-vacina. Eu acho que, na população em geral, a gente não tem nenhum problema com ter que lidar com uma vacina imperfeita, considerando a urgência com a qual ela foi desenvolvida e o impacto que soluções mesmo imperfeitas podem ter nesse momento. Então a gente tem essa possibilidade de fato de que a vacina não seja 100% eficaz, mas uma vacina eficaz numa fração de pacientes já dá uma grande ajuda nesse momento e a gente vai ter a possibilidade de eventualmente aperfeiçoá-la. Com relação ao movimento anti-vacina, ele é completamente alheio a qualidade científica e ao impacto social que as vacinas tiveram. Então, junto com as medidas de saneamento e limpeza, a vacinação é a principal causa de queda da mortalidade na humanidade ao longo do último seculo. Então, se isso já não é argumento suficiente pros anti-vacinas se convencerem de que vacinar é uma coisa importante, segura, e é um ato de solidariedade, inclusive, eu não acredito que qualquer dado dentro do contexto da Covid vá reforçar ainda mais esses argumentos. Acho que eles já são completamente irracionais e tão apoiados em conceitos tão pantanosos que a proteção, mesmo parcial, que uma vacina para a Covid possa trazer agora, vai ter uma visão essencialmente positiva por parte da sociedade. Não quer dizer que o pessoal anti-vacina não queria surfar ou aproveitar qualquer fragilidade da vacina, isso pode chegar a acontecer. Mas a percepção da população, no meu entendimento, vai ser de que a ciência fez o seu trabalho em tempo recorde de apresentar alguma solução, ainda que imperfeita, pra esse desafio que na verdade é o maior desafio sanitário que a gente teve, talvez, nos últimos 100 anos.

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