No início dos anos 90, João Sanchez era criança e aluno da EDEM. Foi na antiga sede da escola, na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, que o artista plástico se aproximou e se encantou com as artes. Hoje, décadas depois, ele esteve com os alunos de 8º e 9º anos do Ensino Fundamental 2 e do Ensino Médio, na sala de artes, com a professora Cristina Simões. O motivo? Contribuir com uma produção muito importante: a segunda etapa dos cartazes de serigrafia, uma das técnicas com que ele trabalha. Os cartazes vão compor um painel gigante que será montado na Fundição Progresso, no fim deste mês, para comemorar os 50 anos da escola.

– Na semana passada, apresentei para as turmas um pouco sobre a técnica da serigrafia de stencil, uma das mais antigas de impressão, que se tornaram obsoletas mas continuam sendo atividades artísticas. É ótima para produção de cartazes e é interessante porque os jovens começam a entender o conceito da máscara, o vazio e o preenchido. Daí propus a eles que fizessem desenhos, respondendo, de forma gráfica, sobre os 50 anos da EDEM, de 1969 a 2019: “Por que começar?” e “Por que continuar?”. Essas perguntas já haviam sido trabalhadas no encontro da equipe pedagógica, no começo deste mês.  – diz ele, que além de ser artista plástico, é impressor e editor de obras gráficas do Estúdio Baren.

Na primeira parte da atividade com os alunos, cada dupla fez um cartaz. Hoje foi a vez que colocar a mão na massa, ou melhor, a tinta na tela.

– O trabalho da serigrafia tem muitas etapas e desenvolvemos tudo com muita organização: uns colocando a cartolina embaixo da tela, outros tirando. E precisava ser bem rapidinho, senão a tinta secava. Então foi um trabalho realmente coletivo, todos participando, se ajudando, colaborando. Os cartazes acabaram trazendo um viés político muito forte e eu fiquei muito feliz com o resultado e com o envolvimento das turmas.

Para o artista, pai de Theo, a EDEM é sinônimo de afeto e amor.

– Foi aqui nessa escola que me envolvi com as artes. Uma das aulas mais marcantes para mim foi com a fotógrafa Paula Trope. Hoje, refletindo sobre isso, percebo o quanto a fotografia tem relação com a gravura, com as impressões, com muitas técnicas com as quais eu trabalho hoje em dia. E foi aqui também que conheci a Julieta, com quem comecei a namorar ainda adolescente. Somos pais do Theo, que é aluno da EDEM. E tê-lo aqui hoje, como aluno, é muito legal, muito importante – diz João, que, sob o olhar amoroso do filho, talvez nem perceba o quanto também faça parte da história desses 50 anos.

 

Fotos: Andrea Testoni e Mariana Claudino