Quem diria que no entorno do Largo do Machado há apenas uma espécie de planta nativa da Mata Atlântica? Parece mentira, mas não é. Foi também por este motivo que o professor Tito Tortori criou, há quase dez anos, o projeto Muda Mata, que tem o objetivo de estimular o plantio e aumentar o número de mudas nativas na nossa região. Ontem, ao lado da professora Ana Amelia Lima, ele recebeu as turmas de 8º e 9 º anos do Ensino Fundamental 2 para uma manhã de plantio, com sabão de soldado, pitanga, cutieira, jatobá, pau-brasil, pitomba e mulungu da praia, todas plantas da Mata Atlântica.

Muitas pessoas não sabem que árvores como a amendoeira e a figueira religiosa são típicas da Índia. Que a abricó de macaco, aquela que tem no Largo do Machado e que dá uma flor linda e rosada, pode até ser brasileira, mas é da Amazônia, não da Mata Atlântica. Que a comigo-ninguém-pode e a espada de São Jorge, ao contrário do que muitos pensam, não são brasileiras, mas africanas. Há muitas explicações históricas para isso e eu costumo conversar isso com as turmas. O projeto chama a atenção para a importância de valorizarmos, aqui no Rio de Janeiro, a vegetação característica da região. Por isso que todos os anos, aqui na EDEM, há essa manhã de plantio com as turmas de 8º e 9º anos – conta ele.

No ano passado o plantio não pôde acontecer porque as turmas do Fundamental 2 ainda estavam em aulas remotas. Esse ano deu certo. O mais legal é que, nas aulas do projeto, as turmas podem se informar sobre diversas curiosidades ambientais, como a relação da cotia com a cotieira.

– Sem a ajuda da cotia, a cotieira não nasceria, porque é a cotia que rói a casca da semente da cotieira e enterra essa semente escondida na terra. Só que como a cotia tem memória ruim, ela não se lembra onde enterrou essa semente, que acabam germinando. Assim nascem as cotieiras. Mas tanto as cotias quanto as cotieiras estão em vias de extinção e isso me preocupa muito – diz ele.

Chrysophyllum Imperiale

Por outro lado, Tito tem orgulho em contar que duas mudas de Chrysophyllum Imperiale, conhecida como Árvore do Imperador ou Guapeba, foram plantadas no Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) e no Museu da República há alguns anos.

– Só há 47 espécies dessa árvore catalogadas no mundo e o Muda Mata conseguiu produzir duas mudas que já estão grandes! – comemora o professor.

Outro detalhe muito legal é que o material para o plantio é quase todo zero custo. O kit “semeador sem terra”, criado por Tito, tem um marcador com embalagens de sorvete vazias e reutilizadas para que sejam escritas o nome de cada muda, um porta-muda feito com caixas de sucos e uma semente.

No ano que vem, as mudas do plantio de hoje serão doadas e reflorestadas em locais que necessitam de novas árvores.

Viva longa ao Muda Mata!