Para fugir do trânsito intenso na porta de colégios, pais optam por bicicleta e até triciclo

09 Out 16

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RIO - Na porta de colégios, aquela cena clássica, de carros em fila dupla, disputando espaço com vans e ônibus que também desembarcam crianças, está começando a virar um problema do passado. Agora, na hora de deixar os filhos na escola, muitos pais têm optado por meios de transporte mais sustentáveis. Vale bicicleta, patinete e até mesmo um triciclo, como o usado, nessa semana, pelo empreendedor social australiano Michael Linke para levar os filhos, Julia, de 8 anos, e Nicholas, de 5, ao colégio em Laranjeiras.

— Na Namíbia, onde eu tenho uma ONG e eles nasceram, era muito difícil levá-los de bicicleta por falta de estrutura, então, o transporte era feito de carro. Mas aqui tem ciclovia e as distâncias não são tão grandes — conta Michael, listando as vantagens da troca de meio de transporte. — Você não gasta dinheiro com gasolina nem com estacionamento e chega mais rápido, pois pela ciclovia não pega engarrafamento.

Isso o engenheiro Luiz Duarte pode atestar. Há 4 anos, ele passou a usar a bicicleta para levar a filha Giovanna, hoje com 5, à creche, que fica a um quilômetro da sua casa, em Copacabana. O resultado foi percebido no relógio:


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— Gastava até 30 minutos no trânsito quando ia de carro, agora levo apenas dez — compara ele, que agora, além de Giovanna, carrega Isabelle, de 2 anos, na bicicleta, as duas em cadeirinhas. — Vai uma na minha frente e a outra atrás de mim. Outra vantagem de pedalar com elas é incentivá-las, sem que elas nem mesmo percebam, a fazer uma atividade física.

Filho do editor de vídeos Ric Liuzzi, Felipe, de 4 anos, já pegou gosto. Diz que adora ir de bicicleta para a escola todos os dias, com direito a capacete e tudo:

— Se não tiver capacete, se cair, você pode bater o “coco” no carro e se machucar — ensina o menino, que estuda na Edem, em Laranjeiras.

BICICLETÁRIO COMO INCENTIVO

A escola, inclusive, estimulou os alunos, no ano passado, a confeccionarem um bicicletário na oficina de bioconstrução. O local agora é utilizado pelos próprios estudantes e até mesmo pelos pais.

— Os alunos mais velhos vêm pedalando e os pais dos pequenos estacionam aqui quando vão fazer algo a pé por perto, depois de deixar os filhos — conta Claudia Fenerich, uma das diretoras da Edem.

Já o músico João Cavalcante, vocalista da banda Casuarina, leva seus rebentos de patinete à mesma escola. Aliás, ele vai a pé com a pequena Luna, de 5 anos, e o mais velho, Tom, de 7, se equilibra sobre as três rodinhas. João diz que ele e a mulher, a jornalista Miriam Roia, trocaram um apartamento de 100 metros quadrados em Jacarepaguá por um bem menor em Laranjeiras para não precisarem de carro para levar as crianças ao colégio:

— Um dia me estressei no trânsito, me transformei numa pessoa que eu não sou e resolvi parar de dirigir para preservar a minha saúde. Vendemos o carro e, hoje, somos muito mais felizes, a qualidade de vida aumentou bastante.

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Uma mudança — neste caso, de país — também foi o que levou a advogada carioca Juliana Machado a abrir mão do automóvel. Ela morava com a família na cidade de Guimarães, em Portugal, e, ao voltar para o Rio e aportar em Copacabana, adotou uma bicicleta como meio de transporte, inclusive para levar o filho Tomás, de 6 anos, à escola, no mesmo bairro.

— A bicicleta nos proporciona aproveitar mais o trajeto, que fica mais agradável, menos estressante e muito mais rápido. O Rio é plano, tem muitas ciclovias, propicia esse tipo de transporte — afirma Juliana.

Um dos diretores da ONG Transporte Ativo, que promove o uso da bicicleta, José Lobo defende que essa nova versão do transporte escolar merece nota 10.

— As portas de escola são um grande problema para o trânsito, pois, muitas vezes, pais em carros enormes buscam pequenas crianças a poucos metros de casa e as aguardam em fila dupla. Se eles usassem a bicicleta ou caminhassem, seria de muito valor para a cidade e para eles mesmos — diz José Lobo.